Nem tudo o que Luce é ouro: puro ''eléctrico'' da Ferrari divide fãs

O primeiro puro "eléctrico" da Ferrari que foi revelado na noite desta segunda-feira em Roma já teve uma consequência inesperada: as ações da insígnia italiana perderam 8% do seu valor mal as negociações arrancaram na manhã seguinte na bolsa de Milão.

A informação avançada pelo britânico The Guardian apenas confirma as reacções divididas sobre o Luce de mais de 1.000 cv desenhado por Jony Ive, antigo responsável de design da Apple.

E nas redes sociais, as mentes mais maledicentes já estão a fazer circular memes com as semelhanças estéticas que o hiper desportivo tem com o novo Nissan Leaf, "agravadas" pela escolha do azul-bebé para pintar a chapa.

Críticas à parte, o Ferrari Luce abre um novo capítulo na história do fabricante de Maranello, com os electrões a ditarem a lei mas sem traírem o ADN dos carros da marca no que ao desempenho e à experiência de condução diz respeito.

Linhas simples… desconcertantes!

Uma certeza é que este projecto não tem comparação com qualquer outro modelo da construtora do cavallino rampante, a começar pelas quatro portas de abertura antagónica, e a acabar na lotação inédita para cinco adultos.

Com 5,03 metros de comprimento por dois de altura e 1,54 de altura, surpreende o estilo imprimido pelo colectivo criativo LoveFrom de Marc Newson e Jony Ive, que desenhou o primeiro iPhone, com quem a construtora se associou.

O resultado é um desenho limpo, a enfatizar a simplicidade das suas linhas, como se percebe na estrutura do habitáculo em vidro a estender-se pelas laterais, num conjunto combinado com elementos aerodinâmicos "flutuantes" à frente e atrás.

A imponência ao primeiro olhar é assegurado por enormes jantes em liga leve, que são de 23 polegadas para o eixo dianteiro, e de 24 para o traseiro, sem que tal impeça o Luce de conseguir um coeficiente aerodinâmico de 0,254.

Romper com o passado…

O interior adopta uma estética ainda mais minimalista, como se percebe nos três mostradores analógicos do painel de instrumentos, no volante de três raios em alumínio, e no ecrã multimédia que pode girar para o condutor ou o "pendura".

O Luce rompe também com a arquitectura clássica dum Ferrari, ao serem combinadas quatro portas para os cinco ocupantes se acomodarem de forma tão confortável como permitem os 2,96 metros que separam os dois eixos.

Sendo um puro eléctrico, o interior é espaçoso quanto baste com a bateria integrada no chassis, enquanto o espírito de Gran Turismo familiar é assegurado por uma bagageira com quase 600 litros de capacidade.

… com potência endiabrada!

O Ferrari Luce não só se baseia numa plataforma completamente nova, como também se apresenta com quatro motores "distribuídos" por outras tantas rodas, para debitar uns máximos 772 kW (1.050 cv) e 990 Nm.

Números suficientes para levar este hiper eléctrico de 2.260 quilos em 2,5 segundos dos zero aos 100 km/hora, ou em 6,8 segundos se se desejar fazer a corrida até aos 200 km/hora; a velocidade máxima está "trancada" nos 310 km/hora.

A alimentação é assegurada por uma bateria de 122 kWh brutos para uma autonomia superior a 530 quilómetros, enquanto a sua arquitectura de 800 volts permite recarregamentos até uns máximos 350 kW em corrente contínua.

Chassis afinado ao detalhe

Suspensão activa com controlo eléctrico, gestão dinâmica de binário, elementos aerodinâmicos activos e rodas traseiras direccionais,… só falta mesmo o barulho dos motores para envolver ainda mais o condutor e acompanhantes!

Pois a Ferrari evitou criar um som gerado de forma artificial, optando antes por "captar" as vibrações e ressonâncias dos próprios propulsores e amplificá-los por meio de sensores segundo um sistema patenteado.

Dependendo do modo de condução selecionado, o nível de ruído varia do quase silêncio para uma sonoridade nitidamente desportiva.

Não foram explicados quantos exemplares irão constituir a gama do Ferrari Luce mas nem sequer vale a pena apressar-se: a produção respeitante a 2027 já terá sido toda reservada por um preço "simbólico" em redor dos 550 mil euros.

Texto: P.R.S.

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